Relação entre perfis de bebedores de álcool com energéticos e comportamentos de beber de alto risco

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Estudo traça os diferentes perfis de universitários que fazem uso de álcool e bebidas energéticas e aponta quem está mais exposto a riscos

Pesquisa divulgada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no País sobre o tema, examinou a relação entre perfis de universitários que consomem bebidas alcoólicas com energéticos e destaca quais são os indivíduos mais expostos a comportamentos de risco.

Diversos estudos referem-se ao beber pesado episódico (BPE), padrão de consumo de álcool que corresponde à ingestão de cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais para mulheres, em um período de duas horas, como sendo um dos principais problemas de saúde entre universitários.

Ainda, consumir a mistura de álcool com bebidas energéticas (AMED, sigla em inglês de Alcohol Mixed with Energy Drinks) é uma prática frequente entre jovens e vem sendo foco de pesquisas devido a sua associação com o aumento do risco de BPE, que, por sua vez, expõe o indivíduo a maiores riscos à saúde e prejuízos acadêmicos. Por este motivo, um estudo propôs:

a) Identificar perfis distintos de bebedores de AMED com base em expectativas, atitudes e crenças normativas referentes ao uso de álcool e energéticos;

b) Estabelecer relações entre esses perfis e o comportamento de beber de risco.

A pesquisa foi realizada com 387 alunos do primeiro ano de uma universidade pública norte-americana, de ambos os sexos, com média de idade de 19 anos, e que relataram consumir bebidas alcoólicas na época do estudo. A coleta de dados aconteceu em dois momentos: uma avaliação inicial e um acompanhamento no ano seguinte.

Foram coletadas informações referentes a expectativas, atitudes e crenças normativas relacionadas ao consumo da mistura de bebidas alcoólicas e energéticos, e também sobre a frequência do uso de AMED, ocasiões de BPE e consequências relacionadas ao uso de bebidas alcoólicas.

Com relação às crenças normativas, verificaram-se aquelas sobre a visão que o indivíduo possui da quantidade ingerida pelos amigos (crenças descritivas) e crenças sobre aprovação ou reprovação de seus amigos em relação ao próprio uso (crenças cautelares).

A partir desses dados foi possível estabelecer quatro perfis de usuários de AMED, com as seguintes denominações e características:

·      Ocasional: 54% dos indivíduos tinham expectativas, atitudes e crenças normativas neutras em relação ao uso de AMED.

·         Contra: 30% dos indivíduos relataram expectativas e atitudes negativas sobre o uso de AMED.

·      A favor: 5% possuíam expectativas neutras, mas atitudes e crenças normativas positivas.

·    Influência do grupo: 11% dos indivíduos reportaram expectativas e atitudes moderadamente negativas, mas que acreditavam que seus amigos consumiam AMED em grandes quantidades.

Com isso, os pesquisadores conseguiram estabelecer algumas relações entre os perfis de usuários encontrados e o comportamento de beber de risco. Em comparação ao perfil “contra”, o perfil “a favor” foi identificado como sendo o de maior risco, por ter sido o perfil que mais fez o uso de AMED, apresentou maior frequência de BPE e relatou mais consequências decorrentes do consumo de álcool (23% dos indivíduos com este perfil relataram tais consequências).

O oposto foi observado para os usuários com perfil “contra”, que apresentaram comportamento de beber de menor risco, com menores taxas de uso de AMED, ocasiões de BPE e consequências negativas que os demais perfis.

Um dado interessante foi em relação ao perfil “influência do grupo”. Apesar de não relatarem expectativas e as atitudes positivas em relação ao uso de AMED, apresentaram um consumo frequente dessa mistura: cerca de uma ocasião de uso por semana. Isto sugere que a percepção do indivíduo sobre o consumo de AMED por seus amigos pode ser um fator ainda mais importante que as próprias expectativas e atitudes do indivíduo.

Verificou-se também que o consumo de AMED seria um comportamento de risco independente e distinto do BPE. Este, por sua vez, esteve fortemente associado às consequências relatadas pelos jovens, independentemente da frequência de uso de AMED.

A partir desses resultados, os autores propõem que informações sobre o uso da combinação de álcool e energéticos, o BPE e riscos associados sejam considerados no desenvolvimento e implementação de futuras intervenções com os jovens. Além disso, os dados encontrados também auxiliarão para que as intervenções possam ser direcionadas e específicas a cada um dos perfis de risco identificados.

Título do estudo: Examining the Relationship Between Alcohol-Energy Drink Risk Profiles and High-Risk Drinking Behaviors

Autores: Varvil-Weld, L., Marzell, M., Turrisi, R., Mallett, K.A., Cleveland, M.J.

Fonte: Alcoholism: Clinical and Experimental Research, 2013.