Por que os jovens bebem? Por que não deveriam beber?

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 Levantamento realizado pelo CISA revela que quanto mais cedo se inicia o consumo, maiores são as chances de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool

 

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, uma das principais fontes no país em relação ao binômio saúde e álcool, apresenta uma série de dados com base em estudos científicos e dados oficiais sobre o consumo de álcool por adolescentes e jovens. O álcool é a substância psicoativa mais consumida entre o público juvenil, comportamento observado cada vez mais cedo, com frequência e quantidade também crescentes. Por que isso acontece e quais são as consequências? Primeiramente, observe os números:

  • Aproximadamente 50% dos jovens com idade entre 12 e 17 anos já fizeram uso de álcool na vida;
  • A idade de experimentação e a de início do uso regular do álcool ocorre aproximadamente aos 14 e 15 anos, respectivamente;
  • Entre estudantes de 13 a 15 anos de idade, 67% já experimentaram alguma bebida alcoólica e 22% já tiveram algum episódio de embriaguez na vida;
  • De 2006 para 2012, houve crescimento expressivo de meninas que consomem 5 ou mais doses* por ocasião, de 11% para 20%, e diminuição na proporção de meninos que bebem nesse padrão, de 31% para 24%, também conhecido como beber pesado episódico (BPE)**.

 

         Mas… por que os jovens bebem?

         Os adolescentes vivenciam intensas mudanças físicas, psicológicas e sociais, passando por uma fase que se associa não apenas à experimentação de álcool, mas ao beber “perigosamente”. Entre os diversos fatores, estão:

  • Comportamento de assumir riscos e testar limites: a tendência de procurar situações novas e potencialmente perigosas, em geral de forma impulsiva, típica de alguns perfis de adolescentes, pode incluir experiências com álcool;
  • Expectativas: a forma como o álcool e os seus efeitos são vistos influencia o comportamento de beber. Adolescentes que bebem para ter uma experiência positiva/agradável, como ficar mais comunicativo, ter mais sucesso na busca de parceiros e se divertir mais, são mais propensos ao consumo nocivo;
  • Traços da personalidade ou transtornos psiquiátricos: algumas características podem torná-los mais propensos a começar a beber, como comportamentos de agressividade, rebeldia, dificuldade em seguir regras, problemas de conduta, hiperatividade, ansiedade ou depressão;
  • Fatores hereditários: o risco de desenvolver problemas com o álcool é diretamente influenciado pela genética;
  • Aceitação por amigos e pelo grupo: a aprovação alheia faz parte dos fatores ambientais que podem influenciar no desenvolvimento do hábito de beber, assim como a referência de pais e familiares.

 

         E por que os jovens não deveriam beber?

         Independentemente do motivo que tenha levado o jovem a começar a beber, é importante que ele saiba que está sujeito a uma série de riscos potenciais. O consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes afeta o sistema nervoso central (SNC), que ainda encontra-se em desenvolvimento. Dessa maneira, suas vias neuronais podem se tornar mais suscetíveis aos danos causados pelo álcool, podendo levar ao comprometimento de várias funções.

         Outro sinal de alerta é o início do beber: quanto mais precoce, mais cedo a pessoa poderá ter problemas com o álcool. Estudos mostram que indivíduos que começaram a beber antes dos 15 anos têm 5 vezes mais chances de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool se comparados àqueles que começam a beber após os 21 anos. Além disso, para a vida adulta, o uso de álcool na adolescência é associado a maior consumo e abuso de outras drogas e a mais comportamentos impulsivos, ou inconsequentes. Assim sendo, sob os efeitos do álcool, os jovens ficam mais propensos a comportamentos de risco, incluindo brigas, sexo desprotegido ou não consensual, acidentes automobilísticos, entre outros. Além disso, também podem apresentar outras consequências negativas decorrentes do uso da substância, como não cumprir obrigações importantes e até ter problemas legais, sociais ou interpessoais.

 

         O que pode ser feito?

         As crianças pensam sobre as coisas muito mais cedo do que se imagina. Portanto, nunca é cedo demais para tratar desse tema. Nesse sentido, o que os adultos fazem é tão importante quanto o que falam: crianças e adolescentes ouvem o que você diz, mas também observam o que você faz:

  • Comece a falar sobre o álcool naturalmente, do modo mais simples possível;
  • Não use tom autoritário e evite sermões;
  • Seja claro e conciso, explique os fatos associados ao uso de álcool e suas consequências;
  • Mostre apoio e seja amável, deixe o caminho aberto para o diálogo;
  • Estabeleça limites e cumpra o que for combinado;
  • Tenha atitudes condizentes com o que você fala, pois seu comportamento servirá de exemplo para os mais jovens: faça escolhas saudáveis e responsáveis.

 

         Como medida importante de avanço na prevenção do uso precoce do álcool no Brasil, em março de 2015 foi sancionada a Lei nº 13.106/2015 que criminaliza a oferta – esse termo abrange vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, mesmo que gratuitamente – de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.

         Para saber mais dicas, acesse os materiais do CISA: livreto e vídeo “Como falar sobre uso de álcool com seus filhos” pelos links: http://www.cisa.org.br/artigo/230/como-falar-sobre-uso-alcool-com.php e http://www.cisa.org.br/artigo/493/video-como-falar-sobre-uso-alcool.php.

 

*A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma unidade de bebida ou dose padrão contém aproximadamente de 10 g a 12 g de álcool puro, o equivalente a uma lata de cerveja (330 ml) ou uma dose de destilados (30 ml) ou ainda a uma taça de vinho (100 ml)

 

** BPE é o padrão de consumo que expõe o indivíduo a um maior perfil de risco para danos sociais e de saúde, como prejuízos nas atividades acadêmicas e laborais, envolvimento em relações sexuais desprotegidas ou não consensuais, brigas e violência, acidentes automotivos, além de risco para uso de outras drogas.