Estudo divulgado pelo CISA revela que mistura de álcool com energético aumenta os riscos de abuso e dependência alcoólica

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Estudo norte-americano com informações de 975 universitários e divulgado pelo CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – aponta que misturar álcool com bebidas energéticas expõe mais o indivíduo a riscos, aumentado para o desenvolvimento de dependência alcoólica.

Nesse estudo, a amostra foi dividida em três grupos com base na frequência de consumo de bebidas energéticas: não-uso, uso não-frequente (1 a 51 vezes no ano anterior à pesquisa), e uso frequente (52 vezes ou mais no último ano). A dependência alcoólica foi avaliada segundo os critérios do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4ª edição, da Associação Americana de Psiquiatria).  

O grupo que consumia quantidades elevadas de energéticos (uso frequente) também ingeria bebidas alcoólicas em maior frequência e quantidade do que o grupo cujo uso de energéticos não era frequente. Este dado mostra que a ingestão continuada de energéticos está associada a um risco significativamente maior de desenvolver a dependência do álcool, em comparação ao não-uso e ao uso não-frequente – entre esses dois últimos grupos, não houve diferença significativa no risco de desenvolver dependência do álcool.

Nota-se que os estudantes que faziam uso frequente de energéticos (associado a maior consumo de álcool) também estavam expostos a maiores riscos de desenvolver problemas relacionados a esse comportamento, tais como desmaios e incapacidades decorrentes da ressaca.

A mistura das substâncias presentes no álcool e nos energéticos pode provocar outros graves problemas. Por exemplo, a cafeína aumenta a euforia causada pela bebida e reduz a sensação subjetiva de embriaguez, fazendo a pessoa sentir que está ”menos alcoolizada” do que verdadeiramente está – essa falsa percepção expõe os indivíduos a mais riscos à própria saúde e à sociedade, pois o indivíduo pode beber mais do que pretendia, ou dirigir após beber. Além disso, embora pessoas saudáveis não apresentem problemas com o uso moderado de cafeína, seu consumo em grandes quantidades (como aquelas presentes em energéticos) tem sido associado a consequências graves, como convulsões, desenvolvimento de manias, derrame e morte súbita. 

 

 

No Brasil

Entre os universitários brasileiros, 74% dos entrevistados relataram já ter consumido bebidas energéticas juntamente com o álcool pelo menos uma vez na vida, segundo dados do I Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras. No mês anterior à pesquisa, a prevalência de uso desta combinação foi de 36%. Assim, é nítido que os universitários representam uma população alvo importante para a prevenção do uso nocivo de álcool.

 

Título da pesquisa: Energy Drink Consumption and Increased Risk for Alcohol Dependence.

Autores: Arria AM, Caldeira KM, Kasperski SJ, Vincent KB, Griffiths RR, O’Grady KE.

Fonte: Alcoholism: Clinical and Experimental Research. 2011; 35:1-11.

 

Fonte da pesquisa brasileira: Andrade AG, Duarte PCAV, Oliveira LG. I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras, 2010. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.