Diversidade nos Conselhos de Administração é fundamental, diz IBGC

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Instituto busca aumentar a presença de mulheres em cargos de liderança

O Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa recomenda que os conselhos de administração busquem a diversidade em sua composição, o que contribui para uma melhor atuação do órgão. Porém, quando se trata de diversidade de gênero, infelizmente, isso está longe de ser uma realidade.

De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), atualmente os conselhos de administração têm apenas 7,7% de mulheres entre seus membros. O Senado Federal discute o Projeto de Lei 112/2010, que estabelece que os conselhos de administração das empresas públicas, sociedades de economia mista e demais empresas controladas pela União devem ter um percentual mínimo de 40% de mulheres em sua composição até 2022. Esse projeto acompanha alguns países que decidiram adotar cotas, como a Noruega, que, em seis anos (2002 a 2008), aumentou a participação feminina de 6,8% para 40,3%.

Apesar do resultado em outros países, a criação de cotas para as mulheres não é vista como solução pelo IBGC. “A decisão pode contribuir para gerar mais conflito de gênero. Sob o ponto de vista social, essas cotas não teriam significativo impacto sobre as situações de desigualdade de oportunidades que desfavorecem as mulheres em relação aos homens desde o início de suas carreiras profissionais, tanto quanto à remuneração como quanto às possibilidades de ascensão”, afirma Heloisa Bedicks, superintendente-geral do IBGC.

Outro efeito negativo poderia ser o acúmulo, pelas mesmas profissionais, de cargos de conselheiras em várias empresas, sobrecarregando-as e comprometendo seu desempenho. “Para que a mulher assuma um cargo e se sinta confortável, nele é necessário que veja o mérito de sua ascensão e não o cumprimento de uma cota”, diz Heloísa.

A fim de estimular a igualdade de gêneros, o IBGC desenvolveu iniciativas para proporcionar condições e estímulos à diversidade, para que, assim, seja possível ampliar o número de mulheres preparadas para cargos de liderança. Em 2013, o Instituto divulgou uma Carta de Opinião sobre a diversidade e a presença de mulheres nos conselhos, além de lançar o curso “Governança Corporativa para Mulheres Executivas”.

A capacitação tem como objetivo discutir práticas da Governança e temas recentes do mundo corporativo para a tomada de decisões, bem como o papel das mulheres e da diversidade de gênero na alta gestão das empresas.

“Entendemos que uma maneira de aumentar a presença feminina é capacitar e sensibilizar as mulheres a assumirem cargos de liderança. A capacitação permite que elas possam ter voz nas empresas por estarem preparadas para a função”, finaliza Heloisa.