CISA revela mitos e verdades sobre o consumo de álcool por gestantes

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No mês das Crianças, Centro apresenta dados sobre os riscos do consumo de álcool durante a gravidez

 

Com a proximidade do Dia das Crianças, 12 de outubro, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, uma das principais fontes no país sobre o binômio Saúde e Álcool, alerta sobre os riscos do consumo de álcool na gestação. Nenhuma quantidade de álcool é considerada segura durante esta fase, e a exposição do feto a essa substância pode causar problemas de saúde em qualquer estágio da gravidez. Segundo o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism – NIAAA, os limites de consumo de baixo risco entre as mulheres incluem algumas recomendações, que precisam ser seguidas juntas, e não são excludentes: não consumir mais do que 7 doses de álcool por semana e não consumir mais do que 3 doses em um único dia*.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que nenhum consumo de bebidas alcoólicas seja feito se a pessoa estiver grávida ou amamentando. Apesar disso, dados norte-americanos sugerem que 20 a 30% das mulheres consomem álcool em algum perído da gestação. “Beber álcool em qualquer quantidade durante a gravidez representa risco para a mãe e para o feto, que estará propenso a malformações, problemas comportamentais, de aprendizado e outros”, afirma Dr. Arthur Guerra, Presidente Executivo do CISA, que ainda revela mitos e verdades sobre o consumo de álcool por gestantes.

 

  1. O consumo de álcool durante a gravidez pode resultar em diversas complicações para a criança.

Verdade.

Durante a gravidez, o uso de álcool pode resultar em diversas complicações para a criança, incluindo hiperatividade, déficits de atenção, aprendizado e memória. Diversos fatores podem contribuir para o surgimento de problemas no feto, como padrão do consumo de álcool, metabolismo materno, suscetibilidade genética, período da gestação em que o álcool foi consumido e vulnerabilidade das diferentes regiões cerebrais da criança. Os riscos para o feto aumentam conforme o nível e a frequência de consumo.

 

  1. Apesar de o consumo ser prejudicial para a criança durante a gravidez, não existem consequências muito graves.

Mito.

As consequências relacionadas ao consumo de álcool durante a gestação são variadas em sua gravidade, podendo corresponder a um quadro clínico grave e irreversível para o bebê: a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). A criança com SAF apresenta anormalidades faciais, comprometimentos cognitivo, comportamentais e motores, além de dificuldades no desenvolvimento socioemocional. Para que o diagnóstico de SAF seja feito, é necessário que o paciente seja avaliado por um pediatra. Isso porque outras doenças que promovem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança podem estar presentes ou mimetizarem a SAF.

 

  1. O consumo de álcool por gestantes é responsável por mais de uma doença grave.

Verdade.

O uso de álcool durante a gravidez também pode ocasionar os Efeitos Relacionados ao Álcool (ERA). Crianças diagnosticadas com ERA apresentam algumas características dos pacientes com SAF, mas geralmente exibem melhor performance nos testes de inteligência. Estima-se que para cada 1 criança diagnosticada com SAF, 3 serão afetadas por alguma forma de ERA. Existem três formas de ERA:

  • Parcial: algumas alterações faciais e comprometimentos neurológicos.
  • Malformações congênitas: uma ou mais anormalidades congênitas (desde o nascimento), incluindo cardíacas, auditivas, renais e esqueléticas.
  • Distúrbios Neuropsicomotores: déficits na capacidade de aprendizado, especialmente em aritmética e em seu desenvolvimento socioemocional. Em comparação com a SAF, seus sintomas são menos severos.

 

  1. Os prejuízos do consumo de álcool são reversíveis durante a gravidez.

Mito.

As lesões que o álcool pode provocar no feto, principalmente no sistema nervoso central do bebê, são irreversíveis. Por isso, quando gestante, a mulher que costuma beber deve ser orientada pelo seu médico a interromper o consumo de álcool por completo.

 

  1. O consumo de álcool em qualquer fase da gestação não é seguro.

Verdade.

O uso de álcool demonstrou-se prejudicial em qualquer período da gestação. O padrão beber pesado episódico** é particularmente perigoso ao desenvolvimento fetal. Além disso, como o uso de álcool no período pré-gestacional é forte indicador do consumo durante a gravidez, autores sugerem que os profissionais da saúde adotem medidas especiais de intervenção, como:

  • Investimento em medidas de prevenção que identifiquem e reduzam a exposição de álcool durante a gestação;
  • Aconselhamento de mulheres sexualmente ativas e em idade gestacional sobre o uso de métodos contraceptivos confiáveis, planejamento da gravidez e interrupção do consumo de álcool antes de engravidar.

 

  1. O consumo de álcool aumenta a produção de leite durante a amamentação.

Mito.

Segundo o NIAAA, o álcool pode diminuir a produção de leite, especialmente algumas horas após seu uso. Portanto, é recomendável que as mães evitem ao máximo o consumo nesse período, principalmente horas antes da amamentação, considerando que o álcool é transmitido ao leite materno.

 

*Uma dose de bebida alcoólica equivale a aproximadamente 330 ml de cerveja, 100 ml de vinho ou 30 ml de destilado.

 

**O beber pesado episódico (heavy episodic drinking) é definido pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) como o consumo de 5 ou mais doses alcoólicas por homens ou de 4 ou mais doses por mulheres dentro de um período de 2 horas.