CISA divulga estudo sobre o perfil do consumo de álcool por idosos brasileiros e fatores associados

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Pesquisa revela que 35% dos idosos bebem frequentemente e homens estão mais expostos às bebidas alcoólicas

 Com a proximidade do Dia Nacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, uma das principais fontes no país em relação ao binômio Saúde e Álcool, divulga estudo sobre o tema realizado com 500 adultos brasileiros com idade entre 65 e 74 anos, da cidade de Montes Claros (MG). Estima-se que parte considerável dos idosos brasileiros consome bebidas alcoólicas embora esse comportamento na terceira idade possa aumentar os riscos de complicações da saúde e mortes, especialmente se excessivo e frequente.

Devido ao aumento da expectativa de vida, à diminuição da natalidade e aos avanços dos serviços de saúde, incluindo o acesso e a disponibilidade de tratamentos, o envelhecimento da população brasileira já é uma realidade. Uma das consequências desse fenômeno é a transformação do perfil de saúde da população, com aumento da frequência de doenças crônicas e degenerativas.

No Brasil, as bebidas mais consumidas são cerveja e destilados, como uísque, vodca, gin e cachaça. Para estimar a prevalência do consumo dessas bebidas entre idosos e elucidar fatores associados, um estudo transversal analisou 500 adultos brasileiros residentes em Montes Claros (MG), com idade entre 65 e 74 anos. O padrão de uso de álcool foi avaliado pela frequência de ingestão, que pode ser diária, semanal, mensal ou anual. Neste estudo, o consumo diário ou semanal foi classificado como “uso frequente”, uma vez que são padrões de maior risco à saúde*.

Observou-se que 27% dos idosos entrevistados consumiam cerveja e 21% ingeriram bebidas destiladas, sendo que 35% deles bebiam com frequência. Em linha com outros estudos, o uso de álcool mais frequente e intenso* foi identificado mais entre homens do que nas mulheres.

Também, foram analisados fatores associados aos tipos de bebida e ao uso frequente, como gênero, estado civil, escolaridade, presença de doenças crônicas e acesso aos serviços de saúde. O consumo de cerveja foi relacionado ao uso de tabaco entre mulheres; e à menor escolaridade e a não ser casado entre homens. Já o consumo de destilados foi associado à menor escolaridade e ao uso de tabaco entre mulheres; e à senilidade  e ao uso de tabaco entre homens. O uso frequente de bebidas alcoólicas foi associado ao consumo de tabaco, o que é bastante preocupante, visto que ambas substâncias podem causar danos à saúde, e quando usadas em conjunto apresentam riscos cumulativos.

Os autores concluem que a população idosa estudada tem frequência notável de consumo de álcool, o qual está associado com determinantes demográficos e comportamentais, como o uso de tabaco. Como quadros de elevado consumo foram observados entre o sexo masculino, os pesquisadores sugerem que homens idosos também sejam alvo de campanhas e políticas específicas de prevenção e promoção da saúde. Uma vez que esse estudo foi realizado em apenas um município, os autores destacam que os dados não devem ser considerados como representativos da população idosa brasileira.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, não existem níveis seguros para o uso de álcool.O consumo diário, por exemplo, sem intervalo de ao menos dois dias na semana com abstinência, ou que exceda determinada quantidade, aumenta consideravelmente os riscos de consequências nocivas. Para saber mais, acesse: http://www.cisa.org.br/artigo/5613/tira-duvidas-sobre-consumo-alcool.php.

*Conheça mais sobre padrões de consumo do álcool pelo link: http://cisa.org.br/artigo/4405/padroes-consumo-alcool.php

 Título do estudo: Consumption profile and factors associated with the ingestion of beer and distilled beverages among elderly Brazilians: Gender differences

Autores: Souza JGS, Jones KM, Fonseca ADG and Martins AMEBL.

Fonte: Geriatr Gerontol, 2015.