CISA divulga dados sobre o uso nocivo de álcool para as mulheres

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Com a proximidade do Dia das Mães, ONG apresenta dados sobre o consumo abusivo de álcool no organismo feminino

Com a proximidade do Dia das Mães, que neste ano será comemorado em 10 de maio, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no País, ressalta a importância de alertar a população sobre os riscos do uso de álcool nocivo entre mulheres.

As mulheres são mais vulneráveis aos efeitos dessa substância devido a diferenças na composição biológica entre os gêneros, enfrentando, por isso, riscos particulares à saúde. Em comparação aos homens, elas têm relativamente menos água no corpo – o que faz com que o álcool fique mais concentrado –, geralmente pesam menos e possuem níveis menores de enzimas responsáveis pelo metabolismo do álcool.

Ao consumirem as mesmas quantidades de bebida alcoólica que os homens, as mulheres apresentam níveis mais elevados de álcool no sangue e demoram mais tempo para metabolizá-lo, ou seja, os efeitos ocorrem mais rapidamente e tendem a ser mais duradouros. Além disso, elas têm mais probabilidade de desenvolver problemas relacionados ao álcool mesmo com níveis inferiores de consumo e/ou em idade mais precoce do que os homens.

Dados do relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 3,2% das mulheres brasileiras apresentam algum transtorno relacionado ao uso de álcool, sendo que 1,8% apresenta diagnóstico de dependência. Já entre universitárias, quase 84% apresentaram baixo risco para desenvolver dependência alcoólica, enquanto 15% exibiram risco moderado e 1%, alto risco. Tais dados reforçam a necessidade de cuidado e assistência, além de políticas de prevenção do uso nocivo de álcool e estratégias de intervenção direcionadas a essa parcela de 16% de jovens mulheres com grandes chances de desenvolver problemas relacionados à bebida.

Considerando as questões nutricionais, o consumo de álcool em excesso pode diminuir a absorção ou prejudicar o metabolismo de diversos alimentos. Sendo assim, dependendo da quantidade e padrão de consumo, o estado nutricional de uma pessoa pode ser afetado seriamente.

Além disso, por ser um depressor do Sistema Nervoso Central, as inibições e a capacidade de julgamento são rapidamente afetadas, havendo diminuição da percepção e prejudicando o processo de tomada de decisões. Assim, um dos maiores problemas decorrentes é ter relações sexuais sem proteção, aumentando os riscos de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, por exemplo. Além disso, o uso abusivo do álcool está associado de forma significativa a comportamentos violentos, gerando maior vulnerabilidade a brigas e relação sexual não consentida. Dessa forma, relaciona-se com quantidade de vítimas afetadas, entre as quais a mulher é a mais exposta.

Confira outros potenciais danos do consumo de álcool à saúde:
Danos ao fígado: mulheres que bebem são mais propensas a desenvolver inflamação do fígado do que os homens;
Doença cardíaca: mulheres são mais suscetíveis à doença cardíaca relacionada ao álcool do que os homens;
Câncer de mama: mulheres que ingerem cerca de uma dose* de álcool por dia têm chances maiores de desenvolver câncer de mama em comparação com as mulheres abstinentes;
Gravidez: beber em qualquer quantidade durante a gravidez representa risco para a mãe e para o feto, que estará propenso a problemas comportamentais, de aprendizado e outros;

Segundo o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism – NIAAA, os limites de consumo de baixo risco entre as mulheres incluem as seguintes recomendações, que precisam ser seguidas juntas, e não são excludentes: não consumir mais do que 7 doses de álcool por semana e não consumir mais do que 3 doses em um único dia.

Mesmo dentro desses limites, o NIAAA alerta que o indivíduo pode ter problemas se beber muito rapidamente ou apresentar outros danos de saúde. É preciso, ainda, se certificar de que se alimentou o suficiente. A OMS recomenda, também, que o consumo de bebidas alcoólicas não deve ser feito se a pessoa estiver grávida ou amamentando; se for dirigir, operar máquinas ou realizar outras atividades que envolvam riscos; se apresentar problemas de saúde que possam ser agravados pelo álcool; se fizer uso de medicamento que interage diretamente com o álcool; e se não conseguir controlar o seu consumo.

O CISA então incentiva as mulheres e, em especial, todas as mães a buscarem hábitos saudáveis e ficarem atentas aos seus níveis de consumo de álcool e, assim, proteger a si e suas famílias.

*Uma dose de bebida alcoólica equivale a aproximadamente 330 ml de cerveja, 100 ml de vinho ou 30 ml de destilado.