CISA comemora mudança no consumo de álcool após endurecimento da Lei Seca e reforça quais os efeitos da substância no organismo

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Pesquisa realizada pelo Vigitel, do Ministério da Saúde, identificou redução no índice de adultos que admitem beber e dirigir

 

Recentemente publicada, pesquisa do departamento de Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014, do Ministério da Saúde, revela redução no índice de adultos que admitem beber e dirigir nas capitais do país. Os dados foram identificados após levantamento realizado entre os anos de 2012 e 2014, período que sucedeu o enrijecimento da chamada Lei Seca. Em 2008, a Lei 11.705 alterou o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) e estabeleceu limites de concentração de álcool no sangue para motoristas. Entretanto, novas diretrizes foram propostas com a Lei 12.760, sancionada em 2012, que estabelece tolerância zero ao álcool, aumento da multa administrativa para flagrante de embriaguez, e criminaliza o flagrante de motorista com concentração de álcool igual ou superior que 0,34 miligramas de álcool por litro de ar alveolar expirado (correspondente a 0,06 gramas de álcool por 100 mililitros de sangue).

Com o objetivo de ressaltar a importância da mudança deste hábito, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no país sobre o tema, reúne dados científicos sobre os efeitos do álcool no organismo, como o comprometimento das capacidades físicas e mentais.

“Com base nos dados dessa recente pesquisa, percebemos que houve mudança significativa no comportamento arriscado de beber e dirigir entre brasileiros, seja pelo receio das consequências de passar por uma blitz, seja pela consciência dos riscos que a combinação de álcool e direção pode causar para si e para terceiros. É uma importante conquista.”, afirma Dr. Arthur Guerra, Presidente Executivo do CISA.

Em pequenas quantidades, o álcool promove desinibição. Com o aumento desta concentração, o indivíduo passa a apresentar uma diminuição de resposta aos estímulos, fala pastosa, dificuldade para caminhar corretamente, entre outros. Já em concentrações muito altas, isto é, maiores do que 0,35 gramas/100 mililitros de álcool, o indivíduo pode ficar comatoso ou até mesmo morrer. Segundo diretrizes da Associação Médica Americana (The American Medical Association), uma concentração alcoólica suficiente para trazer prejuízos ao indivíduo é de 0,04 gramas/100 mililitros de sangue. Confira, abaixo, a relação entre os níveis de concentração de álcool no sangue (CAS) e os sintomas clínicos correspondentes.

 

Quadro 1 – Efeitos da alcoolemia (CAS) e o desempenho

CAS (g/100ml) Efeitos sobre o corpo
 

 

0,01-0,05

Aumento do ritmo cardíaco e respiratório
Diminuição das funções de vários centros nervosos
Comportamento incoerente ao executar tarefas
Diminuição da capacidade de discernimento e perda da inibição
Leve sensação de euforia, relaxamento e prazer
 

 

 

 

0,06-0,10

Entorpecimento fisiológico de quase todos os sistemas
Diminuição da atenção e da vigilância, reflexos mais lentos, dificuldade de coordenação e redução da força muscular
Redução da capacidade de tomar decisões racionais ou de discernimento
Sensação crescente de ansiedade e depressão
Diminuição da paciência
 

 

0,10-0,15

Reflexos consideravelmente mais lentos
Problemas de equilíbrio e de movimento
Alteração de algumas funções visuais
Fala arrastada
Vômito, sobretudo se esta alcoolemia for atingida rapidamente
 

0,16-0,29

Transtornos graves dos sentidos, inclusive consciência reduzida dos estímulos externos
Alterações graves da coordenação motora, com tendência a cambalear e a cair frequentemente
 

 

0,30-0,39

Letargia profunda
Perda da consciência
Estado de sedação comparável ao de uma anestesia cirúrgica
Morte (em muitos casos)
 

A partir de 0,40

Inconsciência
Parada respiratória
Morte, em geral provocada por insuficiência respiratória

 

*A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma dose padrão de álcool equivale a aproximadamente 10 a 12 g de álcool puro, correspondente a uma lata de cerveja (330 ml), uma dose de destilado (30 ml) ou uma taça de vinho (100 ml).