CISA apresenta dados sobre os riscos do consumo excessivo de álcool por atletas

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Para não comprometer o desempenho nos esportes, é preciso conhecer os efeitos das bebidas alcoólicas no organismo

O uso de álcool por atletas é bastante difundido ao público em geral devido aos rigorosos testes de substâncias realizados antes das competições. Entretanto, alguns aspectos importantes devem ser observados com atenção. Por isso, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no país, reuniu uma série de informações para esclarecer possíveis dúvidas sobre o tema.

Primeiramente, é relevante destacar que bebida alcoólica pode gerar aumento de peso por fornecer uma considerável quantidade de calorias e não oferecer nutrientes, como proteínas, vitaminas ou minerais, as chamadas “calorias vazias”. Cada grama de álcool puro fornece 7 calorias; porém, o total de calorias nas bebidas alcoólicas varia amplamente de acordo com o tipo de bebida, por conter outros ingredientes além do álcool¹. Por exemplo, uma lata de cerveja possui a quantidade de calorias equivalente a uma barra de 30 gramas de chocolate, ou a uma unidade de pão francês, aproximadamente.

Já outro aspecto importante está relacionado à influência negativa que o consumo de álcool pode causar na performance dos atletas. Ele pode prejudicar o processamento de informações, bem como de uma ampla variedade de habilidades psicomotoras, tais como: tempo de reação, precisão, equilíbrio, coordenação complexa e a capacidade de tomar decisões mais rápidas e racionais. Em esportes que envolvem rápida mudança de estímulos, o desempenho do atleta será ainda mais prejudicado.

Segundo dados da literatura científica, a ingestão de álcool pode levar à diminuição do uso de glicose e aminoácidos pelos músculos, dificultando o depósito de energia e o metabolismo durante o exercício. Os estudos também revelam que o álcool tem propriedades inflamatórias, podendo prejudicar a disponibilidade de nutrientes e diminuir a secreção do hormônio do crescimento. No entanto, existem evidências que a atividade física pode amenizar os efeitos do álcool e reduzir seus efeitos oxidantes.

É importante ressaltar que muitos atletas, ao concluírem longas provas, fazem uso de medicamentos como anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares, e alguns de seus componentes não devem ser consumidos concomitantemente com álcool pelos potenciais efeitos tóxicos para o fígado. Ainda, uma série de anti-inflamatórios não esteroidais expõe a mucosa do estômago a efeitos adversos potencialmente graves, assim como o álcool, o que implica em risco ainda maior quando usados ao mesmo tempo.

Com finalidade de obter resultados dos efeitos psicoativos e para métricas, os tipos de bebida não diferem entre si quando usados volumes com quantidade de álcool equivalentes, por exemplo, 330 ml de cerveja, 100 ml de vinho e 30 ml de destilado possuem a mesma quantidade de álcool puro: 12 g. Estudos mais específicos apontam para efeitos particulares com relação à cerveja, com ou sem álcool, por conter antioxidantes da fermentação (polifenóis) e poder colaborar na reidratação pós-exercícios físicos. Uma dessas pesquisas, por exemplo, verificou que o consumo de 1 a 1,5 l de cerveja sem álcool por maratonistas ao longo de três semanas antes da corrida reduziu a inflamação e problemas decorrentes da prova.

Embora o consumo de álcool faça parte das relações sociais saudáveis há milhares de anos, o atleta que deseja conquistar grandes resultados tende a se beneficiar por restringir seu consumo. De acordo com o documento intitulado “Self-help strategies for cutting down or stopping substance use: a guide (2010)”, da Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe um nível seguro para o consumo de álcool. Se a pessoa bebe, há risco de problemas de saúde e outros, especialmente se bebe mais de 2 doses2 por dia e não deixa de beber pelo menos por dois dias na semana.

Por fim, na relação entre álcool e esporte, outro ponto de vista que interessa particularmente aos profissionais de saúde, familiares e demais envolvidos com pacientes com transtornos por uso de álcool é o benefício complementar que a prática de atividade física tem no tratamento – estudo indicou que exercícios moderados colaboram com a recuperação de dependentes, diminuindo o número de recaídas e de episódios de uso nocivo.

 

¹ Tipos de bebidas alcoólicas e calorias (http://www.cisa.org.br/artigo/3599/tipos-bebidas-alcoolicas-calorias.php).

 

2 A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma unidade de bebida ou dose padrão contém aproximadamente de 10 g a 12 g de álcool puro, o equivalente a uma lata de cerveja (330 ml) ou uma dose de destilados (30 ml) ou ainda a uma taça de vinho (100 ml) (http://www.cisa.org.br/artigo/4503/definicao-dose-padrao.php).