CISA alerta sobre os riscos de dirigir sob a influência de álcool

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ONG apresenta efeitos da substância no organismo e dados sobre o tema no Brasil

 

Com a proximidade do Dia Nacional do Trânsito, celebrado em 25 de novembro, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, uma das principais fontes no país em relação ao binômio Saúde e Álcool, apresenta dados sobre os riscos da condução de veículos automotores após o consumo de bebidas alcoólicas.

O consumo de álcool em excesso é um dos fatores de risco de maior impacto para a morbidade, mortalidade e incapacidades, estando relacionado a cerca de 3,3 milhões de mortes a cada ano em todo o mundo. Entre os prejuízos sociais associados, os acidentes de trânsito destacam-se como um problema de preocupação mundial que resultam em números significativos de mortes e danos. Ainda, a população mais exposta ao risco de acidentes fatais no trânsito é composta por aqueles que representam em grande parte o futuro da nação: os jovens.

Segundo o Presidente Executivo do CISA, Dr. Arthur Guerra de Andrade, é muito arriscado dirigir sob efeito de qualquer quantidade de álcool ingerida. “A princípio, o álcool atua como estimulante e pode temporariamente gerar a sensação de excitação. No entanto, por ser um depressor do Sistema Nervoso Central e conforme o aumento do consumo, as inibições e a capacidade de julgamento são rapidamente afetadas, o que prejudica no processo de tomada de decisões e interfere nas habilidades motoras e no tempo de reação, comprometendo bastante a aptidão para dirigir”, afirma o especialista. Além disso, a ingestão de altas doses de álcool pode causar sonolência ou até mesmo desmaios ao volante.

Um recente relatório sobre consumo de álcool na região das Américas, publicado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, escritório regional da OMS), apresenta dados sobre os problemas com relação ao consumo de álcool  e ao trânsito.

O levantamento examinou os padrões e problemas por uso de álcool. O resultado dessa avaliação revela que, em 2012, para as mortes atribuíveis ao álcool, o Brasil ocupa o 3º lugar no ranking entre os 36 países das Américas entre homens, e o 11º lugar entre mulheres. Outro dado preocupante apresentado foram os acidentes de trânsito, que representaram uma das principais causas de morte entre jovens no mundo todo, em que beber e dirigir se destaca como o principal fator de risco implicado. Além disso, o relatório aponta que 14 mil mortes entre jovens com menos de 19 anos foram relacionadas de alguma forma com o consumo de álcool entre a população da região estudada.

Atualmente, o Brasil é um dos 25 países do mundo que estabeleceram a tolerância zero para o consumo de álcool por motoristas e um dos 130 que usam o etilômetro (teste do “bafômetro”) como forma de monitoramento do cumprimento da lei, o que representa um grande avanço nas políticas públicas do país. Apesar de as chamadas blitz policiais aleatórias serem consideradas custo-efetivas e colaborarem para a diminuição de acidentes relacionados ao álcool, sua frequência e formas de execução, em conjunto com medidas educativas, treinamento da equipe, punição à violação da lei, sanções econômicas e ao direito de dirigir, são fatores essenciais para exercerem um papel protetor.

No entanto, dados do Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, demonstraram resultados satisfatórios. Segundo o levantamento, o percentual de adultos que admitem beber e dirigir, em 26 capitais do País, caiu 16% desde 2012, além da redução no número de mortes no trânsito entre 2012 e 2013.

Desta forma, é possível concluir que a implementação de leis restritivas à combinação de álcool e direção representa um importante passo para lidar com essa gravíssima questão. Mas deve-se enfatizar que tal implantação deve ser acompanhada de amplas e permanentes campanhas educativas e preventivas, além de investimentos na fiscalização, para combater de forma efetiva o consumo nocivo e irresponsável de álcool, que ainda está muito presente em grande parcela dos motoristas brasileiros.

Para mais informações, acesse: http://www.cisa.org.br/artigo/4692/alcool-transito.php

Fonte:

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Regional Status Report on Alcohol and Health in the Americas.  Washington, DC, 2015.

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Informe sobre segurança no trânsito na região das américas. Washington, DC, 2015.

Portal Brasil – Cai 16% índice de brasileiros que admitem beber e dirigir. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/saude/2015/06/cai-16-indice-de-brasileiros-que-admitem-beber-e-dirigir