CISA alerta sobre o consumo de álcool na terceira idade

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Com a proximidade do Dia Internacional do Idoso, o CISA destaca que o consumo de bebidas alcoólicas nesta fase merece uma atenção especial

Devido à proximidade do Dia Internacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no país sobre o tema, alerta sobre o perigo do consumo de álcool na terceira idade.

Apesar do tema “jovens e bebidas alcoólicas” ser intensamente divulgado pela mídia  nos últimos meses e de fato, sua relevância ser inquestionável, não se pode subestimar os perigos do uso nocivo de álcool em outras faixas etárias. Na terceira idade por exemplo, alguns aspectos diferenciam estas pessoas das demais em relação aos efeitos do álcool.

Nos idosos, os efeitos do álcool são mais rápidos e acentuados devido às mudanças fisiológicas próprias do envelhecimento, há diminuição da tolerância do organismo a essa substância e aumento de seus efeitos sobre o sistema nervoso central. Entre eles há maior risco de quedas, lesões e agravamento de doenças crônicas.

O uso de medicamentos por indivíduos dessa faixa etária é frequente, uma vez que tendem a apresentar diversas questões clínicas relacionadas ao envelhecimento. Estes remédios podem apresentar reações adversas quando consumidos concomitantemente com o álcool, porém muitos idosos sequer têm conhecimento dos riscos dessa associação.

Outro fator preocupante é a redução da massa corporal e das enzimas metabolizadoras do álcool, que também contribuem para o aumento da sensibilidade ao álcool. O uso nocivo de bebidas alcoólicas por idosos pode ainda promover déficits no funcionamento cognitivo e intelectual. Destaca-se portanto, a necessidade de conscientização da população sobre o tema, sendo essencial a capacitação de profissionais da saúde para identificarem problemas decorrentes do uso de álcool em seus pacientes com idade mais avançada, além de orientar a família e encaminhá-los ao tratamento especializado quando necessário.

Atualmente, pouco se sabe a respeito do comportamento do consumo alcoólico entre idosos brasileiros. Sendo assim, um estudo cujo resumoestá disponível no site do CISA, analisou os dados do Projeto SABE* referentes à cidade de São Paulo, com o objetivo de caracterizar o consumo de álcool em idosos. Foram avaliados a frequência de uso nos últimos três meses, fatores sociodemográficos e de saúde associados, e possíveis mudanças no comportamento de beber após um período de seis anos.

Em 2000 foram entrevistados 2.143 indivíduos com 60 anos ou mais, dos quais 1.115 responderam à pesquisa novamente em 2006. Em 2000 quase 80% dos idosos relatavam baixo ou nenhum consumo de álcool, 13% eram bebedores moderados e 7% apresentavam alto consumo. Homens bebiam proporcionalmente mais que mulheres e dentre os que tinham alto consumo, predominavam indivíduos com maior escolaridade, renda e autopercepção de saúde. Ao longo dos 6 anos, apesar da maioria dos idosos relatar uma baixa frequência de ingestão de álcool, 25% dos homens e 15% das mulheres se comportaram como bebedores estáveis ou ainda, referiram aumento no consumo de bebidas. Os resultados encontrados sugerem que as políticas para o álcool também devem ser direcionadas à terceira idade, uma vez observadas as tendências ao aumento do uso dessa substância por essa parcela da população.

*Conduzido pela Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) em 2000, o Projeto SABE (Saúde, bem estar e envelhecimento) é um estudo multicêntrico que visou traçar o perfil das condições de vida e saúde de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos em sete centros urbanos da América Latina e Caribe. Em São Paulo, ele é desenvolvido pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Envelhecimento – NAPSABE, no Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com apoio financeiro da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.