CISA alerta para os riscos do consumo excessivo de álcool por jovens e destaca a necessidade de ações de prevenção

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Pensando em evitar casos de coma alcoólico como o da universitária americana Hanna Lottritz, recentemente relatado em seu blog* e visualizado por milhares de pessoas, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA alerta sobre os riscos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas por jovens, principalmente entre universitários, e destaca a necessidade de ações de prevenção. Confira algumas informações importantes abaixo:
O que é coma alcoólico?

A intoxicação severa por álcool, ou overdose de álcool, leva a um quadro grave de saúde que ameaça a vida do indivíduo. O coma alcóolico é o estágio avançado de rebaixamento do nível de consciência desse quadro, que pode anteceder a morte.
A ingestão de bebidas alcóolicas nesses casos acontece de forma tão intensa que, além da perda de consciência severa (ou seja, o despertar não ocorre ou apenas ocorre minimamente com estímulos sonoros ou dolorosos), áreas do cérebro que controlam funções vitais, como respiração, batimentos cardíacos e temperatura do corpo começam a falhar.
Sintomas de tal quadro de envenenamento alcoólico progridem até chegar ao coma, podendo levar posteriormente à morte, e incluem: confusão mental, dificuldade de manter-se acordado, vômitos, convulsões, dificuldades de respiração, diminuição da frequência cardíaca, e resfriamento do corpo. Em geral, este conjunto de sinais e sintomas ocorre quando a concentração de álcool no sangue situa-se aproximadamente entre 0,3% e 0,45% (0,3 a 0,45 gramas de etanol a cada 100 ml de sangue).
Concentração de álcool no sangue (CAS) e suas consequências no corpo

Segundo diretrizes da Associação Médica Americana (The American Medical Association), uma concentração alcoólica suficiente para trazer prejuízos ao indivíduo é de 0,04 g/100 ml de sangue. No caso de Hanna, os níveis de CAS foram de 0,41 g/100 ml de sangue e ela não apresentava nenhuma resposta respiratória ou cerebral, preocupando muito a equipe médica e familiares. Portanto, a própria estudante reconhece em seu relato que muitos jovens podem não ter a mesma oportunidade que ela teve de sobreviver. Confira abaixo a relação entre os níveis de CAS e os sintomas clínicos correspondentes:

 

Efeitos da alcoolemia (CAS) e o desempenho

CAS (g/100ml de sangue)
Efeitos sobre o corpo
 

0,01-0,05
Aumento do ritmo cardíaco e respiratório
Diminuição das funções de vários centros nervosos
Comportamento incoerente ao executar tarefas
Diminuição da capacidade de discernimento e perda da inibição
Leve sensação de euforia, relaxamento e prazer
 

 

 

0,06-0,10
Entorpecimento fisiológico de quase todos os sistemas
Diminuição da atenção e da vigilância, reflexos mais lentos, dificuldade de coordenação e redução da força muscular
Redução da capacidade de tomar decisões racionais ou de discernimento
Sensação crescente de ansiedade e depressão
Diminuição da paciência
 

0,10-0,15
Reflexos consideravelmente mais lentos
Problemas de equilíbrio e de movimento
Alteração de algumas funções visuais
Fala arrastada
Vômito, sobretudo se a alcoolemia for atingida rapidamente
0,16-0,29
Transtornos graves dos sentidos, inclusive consciência reduzida dos estímulos externos
Alterações graves da coordenação motora, com tendência a cambalear e a cair frequentemente
 

0,30-0,39
Letargia profunda
Perda da consciência
Estado de sedação comparável ao de uma anestesia cirúrgica

A partir de 0,40
Inconsciência
Parada respiratória
Morte, em geral provocada por insuficiência respiratória
Prevenção

No Brasil, a lei protege os menores de 18 anos ao proibir a oferta de bebidas alcoólicas; mas surge a preocupação de como os jovens acima dessa idade irão usufruir deste direito sem trazer prejuízos para sua saúde ou à sociedade. É preciso investir em intervenções para outra população ainda mais exposta ao álcool: os universitários.

Quase 90% deles referem o uso na vida e um em cada quatro relata ao menos uma ocasião de consumo pesado nos últimos 30 dias (ingestão de mais de 4/5 doses** alcoólicas dentro de um período de 2 horas), de acordo com o I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras. Neste caso, em que a maioria já tem a idade mínima para comprar bebidas alcoólicas, é preciso prevenir no sentido de que o consumo em níveis leves a moderados não progrida para um uso de risco. Além disso, há o desafio de trabalhar com intervenções direcionadas àqueles que já bebem de maneira nociva, a fim de evitar que o mesmo resulte em problemas maiores, como o coma alcoólico e a dependência.

Contudo, é importante frisar que ações isoladas não poderão resolver este sério problema enquanto a população também não se envolver e apoiar. Apenas através de um trabalho em conjunto, que contemple governantes, pais e familiares, profissionais da saúde, academia, educadores, instituições privadas e a sociedade como um todo, poderemos nos aproximar de uma solução eficaz para este desafio que permeia o Brasil e o mundo.