CISA alerta para os riscos da combinação de consumo de álcool e direção

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Ações para reduzir mortes e acidentes no trânsito associados ao álcool ganham força no Brasil

Estamos na Década Mundial de Ações para Segurança no Trânsito (de 2011 a 2020), conforme estabelecido pela Orgaização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa visa estimular esforços para conter e reverter a tendência crescente de fatalidades e ferimentos graves em acidentes no trânsito em todo o mundo. No Brasil, a “Lei Seca” (Lei nº 11.705/2008) completa oito anos, sendo que em 2012 foi alterada e estabeleceu tolerância zero para o consumo de álcool por motoristas, com ampliação de possibilidades de provas e aumento da punição (Lei nº 12.760/2012).

Além da alteração legislativa, é imprescindível uma ação conjunta, que envolva governantes, pais e familiares, profissionais da saúde, educadores, instituições privadas e a sociedade como um todo. Felizmente, programas de fiscalização, como a Operação Lei Seca, criada pelo Governo do Estado do RJ em 2009, estão sendo expandidos para outros estados, como MG, RO, RS, MT e PE.

Outro exemplo positivo a ser citado é a iniciativa chamada INFOSIGA SP – Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo, que publica dados mensais sobre acidentes e óbitos em consequência de ocorrências no trânsito em todo o Estado de São Paulo, o que permite melhor monitoramento e atuação.

Apesar de termos avançado bastante, muitos motoristas ainda pegam o volante após ingerirem bebidas alcoólicas. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,2 milhão de pessoas morrem e 50 milhões ficam feridas por ano, no mundo, devido a acidentes de trânsito. Desse total, 50% das mortes e 13% dos acidentes não fatais estão relacionados ao uso de álcool. No Brasil, a taxa de mortalidade devido aos acidentes de trânsito é de 22,5 a cada 100 mil habitantes, sendo que em 33,4% dos acidentes registrados estão envolvidos motoristas de caminhão, dos quais 54,3% relatam o uso de álcool.

De olho nessas estatísicas, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA alerta que mesmo pequenas quantidades de álcool ingeridas afetam a habilidade de direção dos motoristas. Perigos como reações mais lentas do que o normal e a perda de noção quanto à velocidade do próprio veículo e de outros podem ser causas de acidentes fatais.

O CISA também recomenda ficar atento às falsas percepções dos efeitos do álcool, pois nas primeiras doses há a sensação de excitação. No entanto, por ser um depressor do Sistema Nervoso Central, as inibições e a capacidade de julgamento são rapidamente afetadas, prejudicando o processo de tomada de decisões. Com o aumento do consumo, as habilidades motoras e o tempo de reação também sofrem consequências, além do comportamento poder ser alterado, com tendência para maior impulsividade e agressividade, comprometendo ainda mais a aptidão para dirigir. Além disso, a ingestão de altas doses de álcool pode causar sonolência ou até mesmo desmaios ao volante.

“Infelizmente, alguns motoristas ainda não levam a sério os efeitos que o consumo de ácool pode causar ao volante. Mesmo em pequenas doses, o álcool pode comprometer seriamente a habilidade de dirigir, pois afeta não somente a coordenação motora, mas também a capacidade de julgamento em situações onde há necessidade de uma rápida tomada de decisão”, explica Dr. Arthur Guerra de Andrade, Presidente Executivo do CISA.

Ele ainda afirma que tomar um copo de café ou água, ou mesmo parar de beber algum tempo antes de dirigir não diminui os riscos ao volante, uma vez que os efeitos do álcool podem permanecem por horas no corpo após a ingestão da última dose.